Há tantos tipos diferentes de dor e todos a sentem de forma diferente, por isso pode ser difícil encontrar as palavras certas para falar com o seu médico. Ter algum conhecimento sobre a dor e saber como falar sobre esta, pode ajudá-lo a expressar-se da melhor forma quando estiver numa consulta médica. Quanto mais claro for com o seu médico, mais fácil será para este trabalhar consigo num plano de tratamento que o ajudará tanto a aliviar a dor, como a regressar à alegria do movimento.
"Consegue descrever-me a sua dor?" É uma pergunta que muitos de nós podemos não ter uma forma clara de responder, quando vamos ao médico. Há tantos tipos de dor e formas diferentes de a descrever, que parece quase impossível dar a resposta certa. Não ajuda o facto de todos nós vivermos a dor de formas variadas, e em graus diferentes (especialmente dado o número de fatores que a podem causar), por isso não é de admirar que seja difícil ou intimidante tentar explicá-la.
Mas compreender quais são os diferentes tipos de dor e como os descrever, pode realmente ajudá-lo a chegar à raiz do problema. Ter dores que não são devidamente geridas ou tratadas pode ter impacto no seu bem-estar e emoções em geral, por isso falar sobre isso e como isso o afeta, é crucial. Assim, pode voltar a viver a sua melhor e plena vida!
O que é a dor?
É justo dizer que a dor não é algo agradável! A definição oficial dada pela Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) é "uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a danos reais ou potenciais nos tecidos, ou descrita em termos de tais danos".
Portanto, embora possa não ser agradável, é uma forma necessária para que o corpo saiba que algo está a acontecer. Consegue imaginar se estivesse a cozinhar massa, pusesse a mão em água a ferver, e não sentisse dor instantânea que fizesse tirar a mão, o que aconteceria? É a forma do corpo se aperceber de alguns danos nos tecidos, e causar uma reação para impedir que qualquer dano adicional aconteça. Embora possamos não gostar da dor, é difícil negar que precisamos realmente de ser capazes de a sentir...
Como sentimos dor?
A dor é causada pelos nervos que passam uma mensagem ao cérebro, através da medula espinal. O seu cérebro interpreta a dor, e diz ao corpo como reagir para a afastar, ou parar.
Porque sentimos mais dor com a idade?
Infelizmente não há como fugir aos efeitos do envelhecimento - por muito que todos nós desejássemos que fosse de outra forma!
A densidade óssea diminui, o metabolismo abranda, e começa-se a perder massa muscular - até 3 a 5% por década, a partir dos 30 anos, e para os homens, até 30% da massa muscular total, durante uma vida inteira.
Devido ao desgaste da vida quotidiana, bem como aos efeitos de quaisquer lesões ou doenças, as articulações podem tornar-se rígidas e frágeis. Normalmente a cartilagem na extremidade dos ossos amortece as articulações e absorve o choque. No entanto, com a idade, a cartilagem começa a desgastar-se levando a mais dor e inchaço nas articulações. Isto é osteoartrose, e é uma condição comum que afeta muitos adultos mais velhos.
Mas embora haja todo o tipo de mudanças físicas que acontecem com a idade, ninguém quer que isso os impeça de fazer todas as coisas que gostam, quer seja algo tão simples como passear com um amigo, ou dançar numa festa de aniversário de família. Portanto, é uma boa tática identificar o tipo de dor que esteja a sofrer, para que possa tomar medidas positivas para retificar - ou, no mínimo, reduzir - o impacto na sua vida.
95% das pessoas a nível global, afirmam ter sofrido de dor corporal - cada experiência de dor é individual.
Dor aguda
A dor aguda surge normalmente de repente, e pode ser devido a uma doença, lesão ou cirurgia. Pode ser aguda e intensa mas que felizmente desaparece quando a causa da dor é tratada, ou o tecido estiver recuperado. É importante certificar-se de que é tratada adequadamente, caso contrário, a dor aguda pode tornar-se dor crónica.
São exemplos de causas da dor:
- Entorses;
- Equimoses;
- Esforço excessivo no exercício físico;
- Queimaduras;
- Ossos partidos;
- Cirurgia.
Dor inflamatória
A dor inflamatória é muitas vezes localizada, e é muitas vezes descrita como uma moinha ou sensação de dorido, por vezes acompanhada de vermelhidão, inchaço e rubor. A dor inflamatória ocorre devido a uma resposta protetora do corpo quando este fica danificado de alguma forma. Ocorre frequentemente no ombro, anca e mão, mas também pode ocorrer na zona lombar.
Dor nocicetiva
Dor nociceptiva é dor causada por danos no corpo e serve com um propósito de proteção. Exemplos comuns incluem dor somática, tal como nas articulações, osteoartrose, dor lombar ou lesões desportivas e dor pós-cirúrgica.
Como falar sobre a dor?
Voltando então à pergunta original do médico: "Consegue descrever-me a sua dor?" Pode ajudar ter um "diário da dor", e o seu médico pode pedir-lhe que faça também isso.
Um diário da dor é uma nota diária sobre:
- Que dor sentiu durante o dia, se é que sentiu alguma;
- Quanto tempo durou a dor;
- Se a dor (ou os diferentes tipos de dor) variava durante o dia e noite ou era constante;
- Se sentiu que algo em particular causou essa dor (desde atividades e esforço físico, forma como dormiu, o que comeu, ou se estava sob stress);
- Como se sentiu
É importante classificar a intensidade da dor de 0 a 10; sendo 1 tolerável ou ligeira, e 10 quando é insuportável. Todos terão escalas diferentes e é por isso que é realmente importante medir a sua dor, contra a sua própria experiência passada.
É bom pensar nas palavras que poderá usar para descrever a dor antes da sua consulta. Palavras descritivas a considerar podem ser:
- pontadas;
- formigueiro;
- queimar / congelar;
- dormência;
- cãibras;
- dorido;
- picadas;
Quando falar com o seu médico, tome o tempo necessário para explicar a sua dor. Eles estão lá para lhe dar atenção e ajudá-lo a encontrar a melhor solução o mais rápido possível. Assim que o médico tiver toda a informação, poderá elaborar em conjunto consigo, um plano de tratamento que vise o local da dor, quer seja utilizando medicamentos para aliviar a dor, que seja através de medidas alternativas como exercício físico ou fisioterapia.
Lembre-se, encontrar a melhor maneira de descrever a dor, ajuda-o a voltar a controlá-la.
Tratamento para cada tipo de dor